Estamos a viver um momento histórico no sector automóvel. Já é claro para os diversos agentes do sector que a mobilidade elétrica é um objetivo irreversível.

Nos próximos anos, iremos empreender um esforço significativo de adaptação a um novo contexto, não apenas de mudança de paradigma energético, mas também, de essa evolução ser feita, em simultâneo, num ambiente de profunda transformação digital dos negócios.

É dentro desta envolvente complexa que será imperativo responder às naturais ameaças, mas, mais importante ainda, potenciar as oportunidades que resultarão da transformação em curso.

Os imperativos de sustentabilidade ambiental definidos no Acordo de Paris e que resultaram na definição de uma estratégia para a neutralidade carbónica a implementar até ao ano 2050, levaram a Comissão Europeia a impor aos construtores automóveis limites exigentes de emissões de CO2 no conjunto dos veículos produzidos e, simultaneamente, incentivou os governos nacionais a implementar políticas fiscais que favorecessem a opção por veículos de baixas emissões.

Conjugado todo o sistema regulatório em vigor, está criado o contexto para que o futuro da mobilidade seja incontornavelmente de base elétrica.

Os prazos impostos para redução de emissões obrigarão a uma adaptação rápida por parte de toda a cadeia de valor.

Os 10 carros elétricos mais vendidos na Europa em 2020

Ainda assim, é de alguma forma surpreendente a diversidade de novos modelos elétricos e híbridos que a indústria automóvel foi capaz de desenvolver e lançar num tão curto espaço de tempo, demonstrando uma capacidade de adaptação assinalável a imposições externas que ameaçavam a sobrevivência de cada fabricante.

Se há cinco anos, as opções eram muito limitadas, o ano 2021 tem previsto vários lançamentos muito aguardados pelo público para ponderar a sua primeira incursão no mercado dos elétricos.

Praticamente todos os fabricantes têm, em 2021, veículos elétricos para oferecer aos seus clientes, tendo inclusivamente surgido novas marcas com propostas interessantes e que poderão alterar equilíbrios há muito existentes no sector automóvel a nível mundial.

Transformações em curso

Ao nível dos componentes temos assistido também a sucessivas movimentações na indústria e a progressos tecnológicos entusiasmantes relativos ao aumento da autonomia das baterias, da sua eficiência, da redução do seu custo e da capacidade instalada de produção a nível mundial para fornecer um mercado potencial cada vez mais vasto.

A autonomia reduzida é ainda hoje um inibidor da adesão mais massiva do público a soluções elétricas, mas a inovação a que temos assistido permite antecipar que esta deixe de o ser num futuro próximo.

Temos igualmente vindo a assistir a um investimento numa maior cobertura de infraestrutura de carregamentos a nível europeu assim como à entrada de novos comercializadores e operadores no fornecimento de energia, com soluções que prometem simplificar a adesão de novos clientes, sejam estes empresas ou particulares.

Ainda assim, a infraestrutura permanece insuficiente na maioria dos países europeus, sendo este o fator em que terão de se fazer maiores avanços no sentido de se poderem continuar a ambicionar as metas de descarbonização preconizadas para 2050.

Em resultado de todos estes progressos, e apesar das limitações enunciadas, a quota de mercado dos veículos elétricos e híbridos tem vindo a aumentar consecutivamente nos últimos anos e de forma significativa.

Este movimento ainda não é totalmente sustentado, dado que está ainda muito suportado nos incentivos fiscais atualmente em vigor.

Incentivos esses que, no contexto de promoção de uma fiscalidade ainda mais verde, foram alterados no Orçamento do Estado para 2021, no sentido de os mais relevantes terem sido limitados a veículos com autonomias mais elevadas e emissões de CO2 mais reduzidas.

Logo que os fatores inibidores da adesão aos elétricos percam relevância, é esperado que estes benefícios fiscais sejam progressivamente removidos.

Incentivo fiscal à compra de comerciais ligeiros 100% elétricos triplica em 2021

LeasePlan EV Readiness Index 2021

Num contexto de mudanças aceleradas é fundamental ter informações precisas para a toma de decisão e, nesse sentido, o Grupo LeasePlan voltou a realizar o estudo que procura medir o grau de preparação de cada país para a mobilidade elétrica.

O resultado desse estudo – o LeasePlan EV Readiness Index 2021 – foi publicado recentemente. Abrange 22 países europeus e assenta as suas avaliações em três pilares, subdivididos em vários parâmetros de análise:

  • Maturidade do mercado de veículos elétricos (medida pelo número de matrículas por cada mil habitantes e respetiva quota de mercado);
  • Maturidade da infraestrutura de carregamento de veículos elétricos (medida pelo número de pontos de carregamento face à população e ao parque circulante de veículos elétricos e ainda medida pela velocidade média ponderada disponível para carregamentos);
  • Custo de utilização/aquisição de um veículo elétrico (incluindo os incentivos governamentais, o custo da energia comparado com o do combustível, e a renda mensal em renting comparada com a de um veículo a combustão).

Quase todos os países apresentam uma classificação em 2021 melhorada em relação a 2020, sinalizando uma maior preparação para os veículos elétricos em toda a Europa.

No entanto, o progresso é assimétrico, sendo os Países Baixos, a Noruega e o Reino Unido os que estão melhor preparados para a transição energética, enquanto Roménia, Eslováquia e República Checa são os que têm um caminho mais longo por percorrer.

Portugal mantém a décima posição entre os 22 países analisados.

A infraestrutura de carregamento continua a ser o fator que mais afeta negativamente a adoção dos veículos elétricos, apesar do seu aumento em 43% em 2020. Ainda assim, o número de registo de veículos elétricos no grupo LeasePlan duplicou, tendo atingido no ano passado os 15,9% da totalidade de veículos encomendados.

Em onze dos países abrangidos pelo estudo, o custo total de utilização (TCO – Total Cost of Ownership) de um veículo elétrico já é mais económico que o de um veículo a combustão.

Até há bem pouco tempo, o TCO dos veículos elétricos representava, também em Portugal, um travão à transição energética. No entanto, em 2021, este parâmetro verá reduzida a sua influência negativa à medida que surgem novos modelos no mercado, a preços mais competitivos e com autonomias cada vez mais elevadas.

Se a este novo mix do lado da oferta de marcas e modelos juntarmos o efeito dos incentivos fiscais de que os clientes empresariais podem beneficiar, teremos já em 2021, para diversas intensidades de utilização, várias alternativas tanto de veículos elétricos como de motorizações híbridas, economicamente vantajosas quando comparadas com modelos equivalentes com motorização a combustão.

Transição energética

Os operadores de referência do sector automóvel terão a missão de liderar o processo de transição energética, dando o seu exemplo próprio e, complementarmente, o seu contributo no sentido de ajudar os seus clientes na transição para as novas formas de mobilidade.

A LeasePlan definiu para si a ambição de atingir a neutralidade carbónica da sua frota própria até 2030 e encontra-se, em Portugal, numa fase avançada de substituição de uma parte significativa dos seus veículos a combustão por veículos híbridos e elétricos, complementados com a implementação de uma infraestrutura própria de carregamento.

Para as empresas que desejem iniciar ou dar continuidade ao seu processo de transição, a LeasePlan tem disponível a ferramenta Car Policy Configurator que permite às empresas definir todos os requisitos definidos na política da empresa e a partir daí proceder à seleção das melhores opções entre a cada vez maior diversidade de marcas e modelos existentes no mercado.

Complementarmente, com a subscrição do produto Start Electric, o cliente terá acesso a soluções de carregamento, quer no escritório quer em casa, permitindo continuar a recorrer a apenas um fornecedor de soluções de mobilidade.

Dentro de pouco tempo, estas soluções de carregamento privilegiarão fontes de energia totalmente renováveis com a consequente redução da pegada ambiental a que empresas com objetivos de sustentabilidade estarão igualmente vinculadas.

É responsabilidade e interesse de todos, enquanto participantes e influenciadores nas diversas envolventes no sector automóvel, assumir o seu papel nesta mudança para tornar possível o atingimento das metas definidas e concluir este processo transformacional de alcance mundial de  enorme benefício para as gerações futuras.

LeasePlan estabelece parceria com Turiscar para promover condução de veículos elétricos

Pedro Miranda assina o artigo de opinião anteriormente da responsabilidade de Ricardo Silva, colaborador de longa data da Fleet Magazine.

Ne LeasePlan desde 1998, Pedro Miranda é o novo Diretor Comercial Adjunto, com responsabilidades sobre a área do Business Development (função anterior de Ricardo Silva, novo Diretor Comercial da LeasePlan Portugal), que engloba o Marketing Corporativo, o Marketing Digital, a Consultoria e Desenvolvimento de Produto e todo o suporte de Backoffice para apoio às equipas de Venda.