A Volvo é uma das marcas que se vê obrigada a repensar a estratégia de oferta de alguns modelos para empresas, na sequência da alteração da medida fiscal que retira benefícios às viaturas ligeiras de passageiros com mecânica plug-in com autonomia elétrica inferior a 50 km e emissões de CO2 superiores a 50 g/km.

Um dos modelos afetado por esta medida extemporânea é o Volvo XC40 Recharge, cuja mecânica T5 híbrida plug-in, apesar de apresentar uma homologação WLTP para emissões de CO2 de 47 g/km, dispõe porém de autonomia elétrica para apenas 45 km.

Esta versão estava a ser comercializada, com a dedução permitida do IVA, dentro do segundo escalão da Tributação Autónoma para empresas.

A partir do próximo ano, de acordo com a alteração aprovada ao código do ISV, o XC40 Recharge R-Design Expression, que, segundo a lei de 2020, paga 467 euros deste imposto, verá este montante elevar-se para cerca de 1.870 euros.

Segundo a alteração aprovada ao código do IRC deixa também de poder beneficiar de taxa reduzida de Tributação Autónoma, uma vez que apresenta uma autonomia elétrica inferior a 50 km.

Na Volvo, lamentamos a forma como esta alteração de impostos para os veículos híbridos foram incluídos ao ‘cair do pano’ no orçamento do Estado sem uma consulta ou discussão prévia com os representantes do setor em Portugal”, desabafa Aira de Mello, diretora de comunicação e marketing da Volvo Portugal.

É quase inevitável que os preços sejam alterados e que os consumidores que pretendem adquirir veículos mais amigos do ambiente sejam prejudicados. Na nossa opinião é uma daquelas equações onde ninguém sai a ganhar; nem o setor, prejudicando as marcas que vinham fazendo um esforço no sentido da sustentabilidade e da apresentação de soluções mais adequadas à sociedade atual, nem os consumidores, que, naturalmente, terão que continuar a pagar impostos e mais impostos para adquirir o seu novo automóvel e, certamente, nem o ambiente prejudicando a renovação de um parque automóvel envelhecido onde grassam os tradicionais veículos com motor a combustão.”

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De facto, com o mesmo motor a gasolina de 1.477 cm, mas sem assistência híbrida, o Volvo XC40 T2 contrapõe emissões CO2 combinadas de 154 g/km, mais de três vezes superiores às homologadas pelo XC40 Recharge (47 g/km).

Outro modelo utilizado pela Volvo na sua estratégia para o canal empresas em 2020, o XC60 Recharge está também abrangido com as alterações em sede de ISV e IRC propostas pelo PAN e aprovadas pelo PS na discussão do Orçamento do Estado para 2021: em vez dos 1.092 euros de ISV cobrados este ano, o XC60 Recharge verá este imposto subir para cerca de 4.370 euros no próximo ano. Sensivelmente quatro vezes mais.

Segundo a medida alterada no artigo 88,º do código do IRC, este modelo deixa também de poder beneficiar de taxa reduzida de Tributação Autónoma, uma vez que apresenta emissões de CO2 superiores ao limite estabelecido de 50g/km para poder aceder a este benefício.

“Caberá às marcas, aos seus concessionários e à indústria como um todo adaptar-se à nova realidade e procurar alternativas para minimizar o impacto destas medidas”, afirma a responsável da Volvo Portugal.

E garante: “Temos investimentos efetuados e em curso para melhoria contínua da nossa oferta e satisfação dos nossos consumidores e, à data, apenas podemos assegurar que estamos a trabalhar afincadamente no tema e tudo faremos para não defraudar estas expectativas mesmo num cenário tão adverso como o atual.”