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Mais do que crescer: porque é que a Arval vai comprar a Athlon?

Escala, timing e transformação do sector ajudam a explicar a operação. Mas, acima de tudo, esta aquisição reflete a forma como o renting e o leasing estão a reposicionar-se para responderem a um mercado em constante - e rápida - mudança. Artigo realizado em parceria com a Fleet Europe

02 de Janeiro de 2026

A aquisição de um concorrente pode ser vista, à partida, como uma decisão clássica. Ganhar dimensão de forma imediata, melhorar economias de escala, reforçar o poder negocial junto de fornecedores, expandir o portefólio de produtos e serviços, bem como a presença geográfica, são alguns dos motivos que justificam uma operação deste tipo.

Mas há ainda um fator decisivo e inevitável: impedir que todas estas vantagens atrás enunciadas caiam nas mãos de um rival direto.

No caso da Arval e da Athlon, todos estes argumentos se cruzam, com dinâmicas muito específicas nos sectores do renting e da gestão de frotas.

Motivos estruturais do sector

A indústria do renting automóvel atravessa uma fase de disrupção, impulsionada pela eletrificação e pela digitalização. Ambos os movimentos requerem investimentos avultados (em tecnologia, dados, infraestrutura de carregamento, sistemas e até competências), mais facilmente absorvidos quando distribuídos por frotas de grande dimensão.

A isso junta-se o facto de as empresas de renting operarem com perfis de clientes distintos. A consolidação permite diluir riscos, equilibrar exposições sectoriais e criar portefólios mais resilientes. É neste contexto que a aquisição da Athlon pela Arval se enquadra.

Riscos inevitáveis

São inevitáveis e existem em qualquer operação desta dimensão. As aquisições consomem tempo de gestão, obrigam à migração e harmonização de sistemas e dados, levantam desafios de RH e integração cultural e podem mesmo gerar desconforto junto de alguns clientes, sobretudo dos que beneficiavam da concorrência direta entre as duas marcas.

No entanto, a Arval não parte do zero. Em 2021, adquiriu a Athlon Suíça, o que lhe conferiu experiência prática na integração de estruturas, ainda que numa dimensão mais reduzida.

Impacto do aumento da frota

Crescimento. Uma constante na Arval: a frota aumentou 6,9% em 2023, 5,1% em 2024 e 4,6% durante os primeiros seis meses de 2025 – quase 58.000 veículos adicionais apenas no último ano.

A aquisição da Athlon à Mercedes-Benz Group acrescentaria cerca de 400 mil veículos à frota numa única operação – o equivalente a seis ou sete anos de crescimento orgânico composto.

Mais do que volume, reforçaria a presença da Arval no segmento de frotas empresariais, no qual a Athlon tem forte especialização.

Além disso, e considerando a concorrência, uma operação desta magnitude reduziria a distância face à Ayvens, que possui atualmente, na Europa, uma frota de cerca de 3,2 milhões de veículos.

Uma maior escala poderá também reforçar a competitividade da Arval na prestação de soluções de renting e mobilidade de marca branca para OEM, num momento em que novos fabricantes estão a entrar no mercado europeu. Permitir que outro operador integrasse a frota europeia da Athlon poderia, pelo contrário, criar um novo rival com dimensão crítica em inúmeros mercados.

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Ganhos nas aquisições e no pós-venda

A Arval já beneficia de condições financeiras competitivas, apoiadas pela sua ligação ao BNP Paribas. No entanto, o reforço de escala em mercados nos quais a Athlon opera (Portugal, Bélgica, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Espanha ou Reino Unido) pode gerar ganhos adicionais.

Áreas como a mão de obra, o acesso a oficinas e tempos de imobilização tornaram-se decisivas, numa altura em que o tempo de atividade dos veículos é o um KPI fundamental para os gestores de frota.

O mesmo pode ser aplicado ao carregamento e às infraestruturas para veículos elétricos, um mercado ainda muito fragmentado a nível nacional.

O momento certo

Aquisições fazem mais sentido quando o mercado entra numa fase de maior previsibilidade. Depois de dois/três anos marcados por taxas de juro elevadas, inflação nos preços dos veículos, rendas mais altas e valores residuais muito fortes, o cenário parece estar a mudar.

As taxas de juro estão em queda, a concorrência intensificou-se, há excesso de oferta por parte dos OEM e os valores dos usados têm tendência a normalizar-se. A Mercedes-Benz Mobilty não detalha o desempenho financeiro da Athlon, mas já reconheceu um “resultado de remarketing mais baixo” (ver página 16 do relatório apresentado pelo fabricante).

Num ambiente destes, torna-se mais fácil chegar a uma valorização realista do ativo.

Escala para investimento

Com a normalização dos residuais, as empresas de renting enfrentam um dilema: controlar custos sem travar a transformação tecnológica. A eletrificação das frotas requer soluções de carregamento, ao mesmo tempo que os veículos conectados geram volumes massivos de dados que só criam valor se forem integrados em plataformas modernas.

A Inteligência Artificial, a análise avançada e a substituição de sistemas legados consomem recursos financeiros e humanos significativos. A escala funciona como amortecedor desses investimentos.

Leitura estratégica do futuro

O sector automóvel muda rapidamente. Novos modelos de agência, menor manutenção nos veículos elétricos, pressão sobre as concessionárias e transição da propriedade para a utilização redefinem toda a cadeia de valor.

Tendo integrado a Mercedes-Benz Mobility durante quase uma década, a Athlon traz uma visão privilegiada sobre a forma como os fabricantes encaram esse futuro. Não é irrelevante notar que a Ayvens escolheu um CEO oriundo de um OEM.

Estratégia além do renting

Tanto a Arval como a Athlon têm vindo a apostar em soluções que ultrapassam o aluguer tradicional: car sharing, subscrições, micromobilidade e serviços integrados.

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Neste ecossistema, os veículos (e a escala associada) continuam a ser o elemento central. A aquisição da Athlon surge assim menos como uma operação oportunista e mais como um passo lógico numa estratégia de longo prazo.

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