Na Unilabs, a mobilidade vai além do suporte logístico – é um pilar estratégico que garante a continuidade de um serviço essencial à comunidade: a recolha e transporte de amostras médicas em todo o país. “Cada veículo representa o nosso compromisso com a inovação, a responsabilidade ambiental e a proximidade com as pessoas”, começa por destacar Edite Gonçalves.
A empresa está a transformar a forma como gere a frota: aposta em plataformas digitais, na análise de dados, em práticas de eco-condução e passa por um processo de eletrificação, faseado e alinhado com as infraesturutras disponíveis e com a evolução tecnológica. Tudo isto com uma visão de longo prazo, assente nos princípios ESG e na redução do impacto ambiental.

Como é que o departamento de Procurement se articula com a gestão de frota dentro da empresa?
Na Unilabs, o departamento de Procurement trabalha de forma muito próxima com a equipa responsável pela gestão de frota, sobretudo na fase de aquisição de veículos e serviços associados (manutenção, seguros, combustível/energia, etc.), assegurando assim uma abordagem alinhada com os objetivos estratégicos e operacionais da empresa.
Enquanto o Procurement lidera os processos de negociação, contratação e relação com fornecedores, a equipa de frota assegura as especificações técnicas, necessidades operacionais e análise de desempenho. O resultado é uma gestão mais inteligente e sustentável, que equilibra custo, desempenho e impacto ambiental.
Em que medida a frota automóvel representa um ativo estratégico para a operação da empresa?
A frota é um ativo estratégico essencial na operação da Unilabs. Garante a mobilidade das equipas, o funcionamento diário da logística de amostras e materiais médicos, e o cumprimento dos níveis de serviço junto de clientes e utentes.
Uma gestão eficiente da frota tem impacto direto na produtividade, segurança e sustentabilidade, sendo também uma extensão da nossa marca.
Quais os principais critérios que utilizam na seleção de veículos e parceiros de mobilidade?
Olhamos para o TCO como critério principal, mas também avaliamos a eficiência energética, o tipo de utilização previsto, a fiabilidade das marcas, as condições comerciais, a cobertura da rede de assistência/manutenção e a capacidade dos parceiros para garantirem bons níveis de serviço.
Em mobilidade, a flexibilidade e a adaptabilidade das soluções são igualmente determinantes.
Mas o TCO é o mais importante…
É fundamental! O TCO é mesmo um dos principais indicadores de suporte à decisão, uma vez que assenta numa análise abrangente (desde o investimento inicial até à manutenção, consumo, seguros, impostos e valor residual). Ajuda-nos a tomar decisões mais racionais e sustentáveis, alinhadas com a estratégia de eficiência e responsabilidade ambiental da Unilabs.
Que ferramentas utilizam para monitorizar a frota e avaliar o seu desempenho?
Temos uma plataforma de gestão de frota que nos dá visibilidade em tempo real sobre métricas como consumo médio, quilometragens, custos por viatura, taxas de utilização, manutenção e até comportamento de condução. Isso permite uma gestão muito mais proativa, baseada em dados e orientada para a eficiência e sustentabilidade.
Em que fase se encontra a empresa no processo de eletrificação da frota?
Atualmente, numa fase de transição estruturada. Foi iniciada a eletrificação com viaturas híbridas plug-in (PHEV) e 100% elétricas (BEV), consoante o perfil de utilização.
Vamos fazendo a expansão para outras áreas operacionais em função da evolução das infraestruturas de carregamento, autonomia real do modelo de viatura e da aceitação interna.
Que tipo de automóveis eletrificados estão a integrar e em que áreas fazem mais sentido? Enfrentam desafios na sua implementação?
Tanto os modelos PHEV como os BEV fazem mais sentido, para já, em viaturas ligeiras de passageiros alocadas a áreas administrativas e com trajetos previsíveis. Fazem também sentido em viaturas mistas onde a autonomia não é limitação.
Os principais desafios passam pela infraestrutura de carregamento, planeamento logístico de recargas, gestão da autonomia e custo inicial de aquisição, que ainda é superior em alguns casos.
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Como é feita a atribuição das viaturas e a gestão do seu uso diário?
Baseia-se nas funções e necessidades específicas de mobilidade de cada área ou colaborador. Temos políticas bem definidas que segmentam a frota por perfil de utilização.
A gestão diária é suportada por plataformas digitais que nos ajudam a garantir eficiência, manutenção atempada e utilização adequada dos veículos.
E como é feita a comunicação e o envolvimento dos colaboradores no processo de transição energética?
A comunicação é basilar para a colaboração, por isso na Unilabs esforçamo-nos para que esta seja constante e transparente. Promovemos sessões de formação e esclarecimento, explicando os benefícios ambientais e económicos da transição energética.
Houve alguma resistência inicial, principalmente quanto à autonomia e tempo de carregamento, mas com informação e acompanhamento adequado, essas dúvidas desapareceram.
Têm algum tipo de política interna de eco-condução?
Sim. Promovemos práticas de eco-condução através de campanhas internas de consciencialização, sensibilização para comportamentos mais eficientes e, em alguns casos, telemetria. O objetivo é reduzir consumos e emissões, aumentando também a segurança na estrada. É um processo contínuo de sensibilização.
Há incentivos ou reconhecimento interno para quem adota boas práticas de condução?
Valorizamos e reconhecemos internamente as práticas de condução segura e responsável. Estes comportamentos estão alinhados com a nossa cultura de segurança, responsabilidade e eficiência.
A médio prazo, está em avaliação a criação de mecanismos estruturados de reconhecimento integrados na política de sustentabilidade e mobilidade da empresa.
Já podem partilhar feedback relativamente ao uso das viaturas eletrificadas dentro da empresa?
Sim, de forma geral o feedback dos nossos condutores que utilizam viaturas elétricas é bastante positivo. Os colaboradores valorizam o conforto, o silêncio de condução e o menor custo estratégico. Há naturalmente uma fase de adaptação, mas a aceitação tem vindo a crescer à medida que os utilizadores se familiarizam com a autonomia real e com as vantagens económicas e ambientais.
Relativamente à atrás referida infraestrutura de carregamento, têm carregadores in-house? De que tipo e como é feita a sua gestão?
Temos postos de carregamento internos, principalmente Wallbox’s de carregamento normal (corrente alternada) em várias instalações da empresa.
A gestão é feita através de uma plataforma dedicada que permite o controlo de acessos, monitorização de consumos, agendamento de carregamentos e atribuição de custos por viatura.
A mobilidade tem vindo a ganhar importância nas empresas. Na Unilabs, a frota é apenas um suporte operacional ou parte da estratégia ESG?
Há já algum tempo que a frota deixou de ser apenas um suporte operacional. Na Unilabs, ela faz parte da estratégia de sustentabilidade e está integrada nos pilares ESG.
Procuramos garantir que a mobilidade apoie não só a eficiência das operações, mas também os nossos compromissos ambientais, seja através da redução das emissões de CO2, seja na transição gradual para veículos elétricos e híbridos.
Voltamos ao Procurement: que papel desempenha na definição de uma estratégia de mobilidade mais sustentável?
Tem um papel central, pois é responsável por selecionar fornecedores e parceiros alinhados com os nossos objetivos de sustentabilidade. Isso inclui negociar contratos com fabricantes de veículos elétricos, operadores de carregamento e empresas de manutenção que adotem práticas verdes. Além disso, analisamos o ciclo de vida dos veículos e priorizamos soluções energeticamente mais eficientes e com menores custos totais de operação.
A recolha e transporte de material médico têm exigências muito específicas. Que desafios logísticos enfrentam?
Os principais desafios estão relacionados com a segurança, rastreabilidade e cumprimento das normas sanitárias. Muitas das amostras e materiais médicos são sensíveis à temperatura e têm prazos muito curtos.
Precisamos de veículos equipados com sistemas de controlo térmico e de um planeamento rigoroso de rotas, garantindo uma operação sustentávem sem comprometer a qualidade ou a segurança.
Que medidas estão a tomar para reduzir os custos operacionais da frota, além da eletrificação?
Temos apostado no uso de sistemas telemáticos para otimizar rotas e monitorizar consumos, manutenção preventiva e substituição gradual de veículos por modelos mais leves e eficientes. Fazemos análises regulares de utilização para reorganização da frota consoante as necessidades operacionais.
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De que forma a digitalização e a análise de dados estão a transformar a vossa foram de gerir a frota?
A digitalização tem sido e é fundamental! Com as plataformas de gestão de frota, conseguimos monitorizar em tempo real as rotas, o estado das viaturas, o consumo energético e até prever necessidades de manutenção. A análise preditiva ajuda-nos a planear substituições e a identificar padrões de uso que podem ser otimizados, aumentando a disponibilidade operacional e reduzindo custos.
A Unilabs pondera integrar soluções de mobilidade partilhada, subscrições ou serviços on-demand no futuro?
Sim. Quando falamos em subscrições ou serviços on-demand, referimo-nos a soluções de mobilidade mais flexíveis, como o flex rent.
Em vez de contratos de aluguer de longa duração, recorremos ao aluguer de viaturas por períodos curtos para ajustar a frota às necessidades operacionais, garantindo mobilidade eficiente e custos controlados.
Como imagina a frota da Unilabs daqui a cinco anos?
Sem dúvida prevejo uma frota predominantemente elétrica. Será mais conectada, digitalizada e flexível, integrando tecnologias de gestão inteligente, energia limpa e modelos de mobilidade partilhada.
O objetivo é alcançar a neutralidade carbónica sem comprometer a qualidade do serviço, a resposta atempada aos utentes e o bem-estar das pessoas. Este é o propósito da Unilabs.

B.I. frota Unilabs
- Número total de viaturas: 244
Por tipo:
– ligeiros de mercadorias: 94 diesel + 15 elétricos
– ligeiros de passageiros: 98 diesel + 19 a gasolina + 6 híbridos + 12 elétricos - % de viaturas eletrificadas (BEV e PHEV): aproximadamente 14%
- Caracterização de viaturas/frota decorada: sim, para viaturas de serviço (operações)
- Política de frota: em elaboração pelo Grupo Unilabs
- Modelos de financiamento da frota: leasing e cash. Prepara formalização de contrato para renting
- Investimento previsto em frota elétrica para futuro: “em 2025 temos um investimento de cerca de 350 mil euros para aquisição de viaturas elétricas e híbridas. Prevemos duplicar este investimento em 2026”, diz Edite Gonçalves, Head of Procurement da Unilabs Portugal



























