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“A consistência de preços é crítica para proteger valores residuais”. Entrevista a Sjoerd Knipping, COO da Kia Europe

A ambição da Kia para o canal empresarial é clara, e o novo EV2 perfila-se como elemento-chave na democratização da mobilidade elétrica da qual o emblema já faz parte

31 de Março de 2026

O novo EV2 foi apresentado como o modelo de acesso à mobilidade elétrica da Kia dentro do segmento B-SUV: uma proposta pensada para o mercado europeu, combinando dimensões de veículo compacto com autonomia e nível de equipamento de modelos do segmento C.

Durante a apresentação internacional à imprensa, a FLEET MAGAZINE pôde comprovar que este não é apenas mais um elétrico para atacar a cidade. É, sim, um modelo que desempenhará um papel estratégico na expansão da gama elétrica do emblema coreano.

Inserido num dos segmentos mais relevantes do mercado europeu, o novíssimo EV2 (que deverá chegar a Portugal no início do segundo semestre de 2026) pretende tornar a eletrificação acessível.

Em entrevista à FLEET MAGAZINE, Sjoerd Knipping, COO da Kia Europe, explica o papel deste B-SUV elétrico na estratégia do fabricante e assume claramente o peso crescente das frotas: num mercado em transição, são as empresas a liderar a adoção de veículos elétricos.

Como é que o EV2 vai competir em termos de TCO face a modelos movidos a combustíveis fósseis e híbridos do segmento B?

De uma forma que reflete bem as diferenças entre um elétrico e um modelo a combustão interna (ICE). Por um lado, é possível que, olhando para o TCO, o preço de aquisição ainda seja um pouco mais elevado. Porém, simultaneamente, sabemos que no que respeita a custos de manutenção, um elétrico exige muito menos do que um veículo ICE e, por si só, isso já é uma vantagem. Certo que isso pode variar de país para país, mas, como parte do TCO, o custo da energia (eletricidade versus combustível) também deverá trazer um benefício significativo.

Combinando isso com a própria eficiência do veículo, que neste caso concreto se apresenta em duas opções distintas: uma com bateria LPF, mais acessível, o que oferece uma vantagem em termos de custo no TCO; e outra, uma versão de maior autonomia, com bateria NMC, que oferece maior eficiência, ou seja, embora exija um investimento inicial superior, acaba por reduzir o TCO por intermédio da sua eficiência ao nível de consumo de energia.

No contexto de frotas, existem ainda vantagens como a dedução do IVA, que tem um impacto substancial no TCO. Já no tocante ao valor residual, aquilo que é realmente crítico, e que temos vindo a reforçar ao longo dos anos, é a consistência de preços.

Isso significa que não fazem grandes descontos…

Podem existir descontos, mas têm de ser consistentes. As empresas de renting não gostam de grandes flutuações de preço. Sabemos que há alguns fabricantes no mercado que tendem a fazê-lo, mas nós preferimos manter a estabilidade, sobretudo no que respeita ao preço.

Se quisermos impulsionar o volume de determinados modelos em mercados específicos, certamente podemos fazê-lo mediante campanhas ou propostas específicas, mas sempre mantendo uma política de preços consistente a nível global.

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Qual é então a estratégia da Kia para proteger o residual e apoiar as empresas de renting na transição para elétricos mais pequenos?

Consistência de preços. É fundamental.

Depois, o que sustenta a nossa convicção de que os residuais podem ser fortes é a experiência que já temos. Se olharmos para os primeiros elétricos que comercializámos (o Niro, por exemplo, numa plataforma multi-energias), e depois para modelos dedicados como o EV6, há dois pontos chave:

  1. Uma autonomia real muito próxima da autonomia anunciada WLTP. Garantimos uma diferença bastante reduzida face a muitos dos nossos concorrentes, e isso é um ponto muito positivo para bons residuais;
  2. O estado de saúde (SOH) da bateria ao longo do ciclo de vida do veículo. E isto é algo que até as próprias empresas de renting nos confirmam, com base em estudos que fazem. Não sei exatamente o que acontece com outros fabricantes, mas no nosso caso vemos veículos com cinco anos de idade a regressarem com 98% ou 99% de SOH da bateria, e isso é um argumento muito forte para um bom valor residual.

O EV2 foi pensado como um modelo de volume para frotas e PME?

Foi desenvolvido tanto para o canal empresarial como para o cliente particular.

Olhando para a estratégia de produto, temos uma versão de entrada mais acessível, com mais de 300 km de autonomia, que se pode perfilar como o carro ideal para um agregado familiar – isso torna-o mais interessante para o cliente particular.

Por outro lado, na versão de maior autonomia (mais de 450 km), que combina muito espaço interior, garantido pela plataforma dedicada, piso plano e habitabilidade de segmento C, encontramos uma solução que, acreditamos, se adequará melhor a frotas.

Além disso, o carregamento a 22 kW, que traz uma vantagem adicional, também não deve ser ignorado: permite carregar duas vezes mais rápido pelo mesmo preço, uma vez que os operadores não diferenciam entre 11 kW e 22 kW.

Por isso, sim, vemos o EV2 como um modelo com elevado potencial de volume, tanto no canal particular como no canal empresarial.

Qual é a importância do canal empresarial europeu na estratégia de eletrificação da Kia a médio prazo?

Antes da transição para elétricos, a Kia tinha uma forte presença no canal particular, na Europa.

Desde o lançamento do EV6, o nosso primeiro elétrico dedicado, temos assistido a um crescimento significativo no canal de frotas, que entretanto se tornou num dos nossos pilares estratégicos.

Também temos verificado que as empresas adotam veículos elétricos mais rapidamente do que os clientes particulares. É por isso que, ao nível do desenvolvimento de produto, temos sempre esta dupla abordagem: não se trata apenas de um veículo para o cliente particular, mas também de um modelo que pode vir a responder às necessidades das grandes frotas que estão a eletrificar os seus parques.

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Como está atualmente a repartição entre canal particular e empresarial?

De forma geral, no mercado europeu, cerca de 55% corresponde a clientes particulares e 45% a empresas.

No nosso caso, continuamos a crescer no canal de frotas e, ano após ano, temos vindo a aumentar o peso deste canal no nosso mix de vendas.

Para além do veículo, que apoio a Kia oferece aos gestores de frota no que respeita a carregamento, parcerias energéticas ou ferramentas de integração?

Ações como a chegada do EV6, um percursor da nossa estratégia de eletrificação, e a adesão à IONITY como acionistas maioritários, sustentam a nossa postura enquanto agentes ativos na transição energética das frotas. A IONITY tem mesmo como objetivo atingir 7.000 pontos de carregamento na Europa, o que contribui para o desenvolvimento da rede de carregamento rápido.

Entretanto, evoluímos também para a app da Kia, onde integramos tudo numa única plataforma, incluíndo os serviços de carregamento. Através do Kia Charge, os utilizadores têm acesso a mais de um milhão de pontos de carregamento públicos em todo o continente europeu.

Além disso, a introdução do carregamento a 22 kW também contribui para melhorar o ecossistema de carregamento dos nossos clientes, nomeadamente os frotistas.

Pretendem alargar o carregamento a 22 kW a toda a gama?

O EV2 é o primeiro modelo de passageiros com essa tecnologia, que também será introduzida no PV5 (comercial ligeiro).

É bastante lógico que, à medida que atualizarmos os modelos existentes para novas gerações, essa tecnologia venha a ser progressivamente integrada na restante gama elétrica.

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