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Uma nova fase da mobilidade elétrica, que se espera sem velhos vícios

06 de Julho de 2023
Renato Carreira
Partner, Deloitte

Entrámos numa nova etapa da mobilidade elétrica. Depois de vários anos de incerteza, marcados por crises económicas e sociais, os automóveis movidos exclusivamente a energia elétrica ganharam o seu espaço e afirmam-se hoje claramente como uma opção de presente e a melhor solução para um futuro mais sustentável do nosso planeta.

De acordo com a Agência Internacional de Energia, a venda de carros elétricos no mundo aumentou 55% em 2022, para mais de 10 milhões, com a tendência de crescimento a manter-se este ano, sendo esperado um aumento na ordem dos 35%.

Tem sido um caminho com avanços e recuos, onde as dificuldades económicas muitas vezes se sobrepuseram às soluções que pareciam mais adequadas para reduzir as emissões de gases com efeitos de estufa e tentar minimizar o aquecimento global.

Merece naturalmente destaque a resiliência das autoridades europeias, que impuseram metas ambiciosas ao sector automóvel e, assim, contribuíram para que fosse a própria indústria a traçar o caminho da transformação para uma mobilidade mais sustentável.

Temos atualmente uma oferta já muito variada de modelos automóveis movidos exclusivamente a energia elétrica e as perspetivas apontam para que, na próxima década, a quase totalidade dos principais construtores mundiais concentre a sua oferta em modelos que dispensam os motores a combustão. Este é um cenário há muito desejado, mas que, naturalmente, não se poderia concretizar com a rapidez desejada.

Assim, na fase de transição, o papel de incentivo dado pelos Governos nacionais teve um importante contributo. Ainda vigoram na maioria dos países europeus diversos incentivos fiscais à compra e utilização de carros elétricos e até ajudas financeiras para tornar mais fácil a decisão de trocarmos uma viatura tradicional por uma movida exclusivamente a energia elétrica.

No entanto, estamos já a entrar numa nova etapa e alguns países começaram a infletir as suas políticas públicas de apoio à mobilidade elétrica. São sinais ainda ténues, mas que indiciam que as ajudas, até aqui consideradas necessárias, vão começar a diminuir.

No caso nacional, o Orçamento do Estado para 2023 já nos trouxe uma alteração relevante: passaram a ser tributados autonomamente, à taxa de 10%, os veículos movidos exclusivamente a energia elétrica cujo custo de aquisição exceda os 62.500 euros. Os demais incentivos fiscais mantiveram-se, mas fica a dúvida por quanto tempo serão mantidos.

Também ao nível dos incentivos financeiros, o secretário de Estado da Mobilidade Urbana admitiu recentemente que o incentivo à compra de veículos elétricos pode acabar já em 2024 e a opção do Governo poderá recair pelo reforço dos estímulos para a redução dos custos de carregamento das baterias daqueles veículos.

Ainda que se admita como inevitável que os incentivos públicos à compra e utilização de veículos movidos exclusivamente a energia elétrica tenham de ser reduzidos à medida que aumenta o número destes veículos no mercado, importa que não seja transportada para a mobilidade elétrica a carga fiscal que incide sobre a mobilidade convencional.

Os efeitos negativos, nomeadamente para o ambiente e para a sociedade em geral, que são apontados aos veículos convencionais, não existem nos veículos elétricos. Pelo que, não é de todo desejável que, operada que seja a transformação em curso ao nível da mobilidade, se imponha às viaturas elétricas e aos seus utilizadores uma carga fiscal próxima da que impende sobre as viaturas convencionais.

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